Fim da escala 6×1 ganha força, mas governo trava debate sobre custo e transição

Em meio ao avanço das discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil, o governo federal sinalizou abertura para mudanças — mas com limites claros quando o assunto é impacto fiscal. Durante agenda internacional em Washington nesta sexta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que uma eventual transição para o novo modelo pode ocorrer em alguns setores, desde que não gere custos para o Tesouro Nacional.

A proposta, que vem sendo debatida no Congresso, prevê a redução da jornada de trabalho — em alguns casos, até a adoção de uma semana de quatro dias. A ideia tem ganhado apoio popular e político, sendo tratada como um avanço social importante. No entanto, o governo demonstra preocupação com a forma como essa mudança será implementada.

Durigan destacou que a adaptação precisa ser discutida com diferentes setores da economia, já que muitas áreas já operam com modelos alternativos, como escalas 5×2 ou 4×3. Para ele, uma transição gradual pode ser necessária, mas sem transferência de custos para os cofres públicos.

A proposta em análise na Câmara inclui, além da redução da jornada, possíveis compensações às empresas — como a diminuição de tributos sobre a folha de pagamento — para equilibrar eventuais aumentos de custos trabalhistas. Essa possibilidade, no entanto, enfrenta resistência da equipe econômica.

“Não é possível financiar com recursos públicos um avanço que deve ser reconhecido como um ganho civilizacional”, afirmou o ministro, reforçando que a medida não pode gerar impacto direto no orçamento da União.

Enquanto isso, dentro do próprio governo, há divergências sobre o ritmo da mudança. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu uma implementação rápida, com um prazo curto de adaptação — cerca de 90 dias. Ele criticou propostas mais longas de transição, classificando-as como tentativas de adiar a medida.

Do lado empresarial, o cenário é de cautela. Representantes do setor produtivo alertam para o aumento de custos e possíveis efeitos negativos na competitividade e na geração de empregos. Economistas, por sua vez, apontam que o sucesso da redução da jornada dependerá diretamente de ganhos de produtividade, impulsionados por qualificação profissional, inovação e melhorias estruturais.

O debate segue em aberto no Congresso, equilibrando interesses econômicos, sociais e fiscais — e deve ganhar ainda mais destaque nas próximas semanas.